Entrevista: Guga Zagonel | Coleção Mulheres Empreendedoras

Começamos mais um mês com uma nova entrevista. Desta vez, Guga Zagonel, empreendedora cheia de sensibilidade e com a missão de melhorar o mundo.

Renée: Começando do começo: quem é você e como a sua empresa representa sua essência? Quero saber da sua relação com seu negócio 🙂

Guga: Sou uma pessoa que sonha com uma realidade melhor para vivermos, sou mãe, apaixonada pela natureza, pelas pessoas e pelos astros. Como boa filha de empreendedores eu sempre quis ter o meu negócio. Tenho mais de uma empresa, e cada uma tem um pouco de mim. Tenho a Quintal Urbano uma empresa que quer ajudar a conectar as pessoas com a natureza, através de um lifestyle mais saudável, para o indivíduo e para o planeta.

A Astrosomos, que quer espalhar sementinhas de autoconhecimento por aí, porque acredito que pessoas conscientes de si se tornam mais conscientes e amorosas em relação a tudo.

E a Baronne empresa que investe nos sonhos de outras pessoas ajudando a tornar estes sonhos realidade. As empresas que fundei, junto com os meus sócios, são inspiradas no mestre Gandhi que fala “Seja a mudança que deseja ver no mundo”, sinceramente acredito que o mundo vai mudar através dos empreendedores conscientes e através das pessoas conectadas com o propósito delas.

Renée: Quando e como foi que você parou, pensou e “MEU DEUS EU PRECISO ABRIR MEU PRÓPRIO NEGÓCIO”?

Guga: Pensei durante anos, meses… via outras pessoas empreendendo e aquilo me dava muita inspiração, muita vontade de criar coisas, produtos, serviços com propósito, com consciência.

Renée: Você faria algo diferente?

Guga: SIM!!! Acho que muitas coisas, mas só aprendemos fazendo né?! Vejo que todos os desafios serviram de aprendizados. Eu deveria ter ouvido mais a minha intuição, não ter pedido tantas opiniões. Isso só tira o foco e enfraquece a nossa motivação. No fundo a maioria das pessoas não quer que você empreenda, porque é muita demonstração de coragem e ousadia da parte de quem abre um negócio, trabalha muito a autoconfiança. E para piorar, no Brasil temos esta cultura de ver o empresário como algo ruim, existe muita desvalorização coletiva das pessoas que assumem este papel.

Renée: Como ser empreendedora contribuiu para o seu crescimento pessoal?

Guga: Você precisa ser responsável, precisa ter autorresponsabilidade por tudo o que faz, e acaba sendo mais centrado na vida. Uma empresa é como uma pessoa, tem sua energia, seu tempo de maturidade e seu propósito. Entender este propósito é fundamental. A gente aprende a respeitar o tempo das coisas, das pessoas e a ver com quem podemos contar.

Renée: Quais são seus próximos planos?

Guga: Melhorar, aprimorar, crescer, prosperar dentro do que já está em andamento. Temos muitos projetos este ano para cada uma das empresas, 2018 será um ano de criatividade, estrutura e expansão.

Renée: Quais são as 5 características favoritas da sua empresa? 

Guga: Propósito, simplicidade, sinceridade, leveza, criatividade.

Renée: Se sua vida como empreendedora fosse uma série, qual seria?

Guga: Não sei dizer, precisaria de muito tempo para escolher uma, não vi muitas séries nos últimos anos com duas crianças pequenas em casa. Hahaha!

Renée: Como é ser mulher no mundo dos negócios?

Guga: Comecei a trabalhar no “mundo dos negócios” aos 17 anos. Quando comecei ninguém me queria por perto, as pessoas não me levavam a sério. Tive que fazer o dobro de coisas que meus colegas homens para começar a ser ouvida. Mas hoje, aos 33 anos, encontro menos dificuldades e mais parcerias. As coisas mudaram muito de lá para cá, graças ao trabalho de muitas mulheres que vieram antes e foram abrindo o caminho para nós.

Renée: Tem alguma dica pra uma mulher que esteja começando? 

Guga: Eu diria para não se cobrarem tanto. Quando começamos queremos fazer tudo certinho e perfeito, nem sempre aceitamos as limitações do momento ou nossos erros no processo. Eu ficava ansiosa para ver as coisas prontas, ficava exigindo perfeição em tudo, não conseguia dormir ou relaxar, hoje sei que o trabalho fica muito melhor com menos stress e com uma autocrítica mais saudável.

Renée: Você acredita naquilo que falam de dividir vida pessoal da profissional?

Guga: Não sei como isso seria possível, todas as relações são pessoais por mais profissionais que sejam.

Renée: Qual é a ideia pra esse ano? 

Guga: Em primeiro lugar é estruturar bem toda a equipe porque em julho vou ganhar meu terceiro filho e a partir daí vou desacelerar meus compromissos e ficar inteira onde meu coração vai estar. Estamos dividindo as tarefas e trabalhando a confiança.

Renée: Se você pudesse colocar um quadro no seu local de trabalho, mas tipo QUALQUER QUADRO MESMO (de Romero Britto à Edgar Degas), qual você colocaria? Pq?

Guga: Colocaria o auto-retrato da Frida “Espinhos e o Beija-flor”, porque me ajuda a lembrar de ficar atenta para onde eu me enredo e deixo de ser eu, principalmente quem tem empresa familiar, às vezes a sombra do inconsciente te engole então você precisa ter claro quem você é para saber distinguir e ser você, fazer as escolhas baseadas nas coisas que são certas para você.

Renée: O que você mais gosta de fazer no seu dia a dia?

Guga: Ficar com a minha família.

Renée: Qual é a trilha sonora enquanto você trabalha?

Guga: Sou mais produtiva num ambiente mais silencioso, então prefiro deixar os pássaros fazerem a trilha sonora.

Renée: Melhores e piores coisas de ter um negócio próprio?

Guga: O risco é o mais desafiador para mim. E o melhor é a liberdade, não imagino uma vida onde eu não seja dona do meu próprio negócio. Acho que o coração bate num ritmo diferente naqueles que são empreendedores.